Vídeo é a nova montra: 4 passos para negócios na Madeira
Sê sincero: quando foi a última vez que entraste num restaurante novo sem o ver primeiro no telemóvel? Pois. Os teus clientes também não. E esta semana até o YouTube e a Amazon disseram isto em voz alta.
O que mudou
A 3 de novembro soube-se que a Amazon vai entrar no programa de compras do YouTube no Reino Unido, depois de o ter feito nos Estados Unidos a 27 de agosto. A frase que correu nas notícias de marketing foi curta: os vídeos são a nova montra. Quem vê um vídeo, um Short ou um direto pode comprar ali mesmo, sem ir procurar a loja.
Tu não vendes na Amazon. Mas tens uma porta aberta no Funchal, em Câmara de Lobos ou no Porto Santo. E é aí que esta ideia te serve mais.
O que mudou, afinal?
Mudou o sítio onde a decisão acontece. Durante anos, a montra era a da rua: quem passava espreitava, via a sala cheia ou vazia, cheirava o que saía da cozinha e decidia. Hoje a primeira visita já aconteceu antes de a pessoa sair de casa. Ou do hotel.
As plataformas de vídeo estão a transformar cada vídeo num sítio onde se decide e se compra. O YouTube faz isso com produtos marcados nos vídeos. O Instagram e o TikTok empurram cada vez mais vídeo para a frente de quem procura. E o Google mostra fotos e vídeos no Perfil da Empresa antes de mostrar o teu site.
Para um negócio local, a consequência é simples: o vídeo que tens (ou não tens) é a montra que as pessoas veem primeiro.
Porque é que isto importa a um negócio da Madeira?
Pensa num casal de turistas, no hotel, à noite, a decidir onde vai jantar amanhã. Abre o Maps, abre o Instagram, vê três restaurantes. Um tem fotos de 2022 e um menu em PDF. Outro tem um vídeo de vinte segundos: a sala com luz do fim da tarde, um prato a sair da cozinha, a vista para o mar. Adivinha onde vão jantar.
O teu restaurante pode até ser melhor. Mas se a montra do ecrã está desarrumada, perdeste antes de abrires a boca. Aparecer mal é pior do que não aparecer.
No alojamento local é igual. Quem reserva quer ver o quarto a sério, a casa de banho, a chegada, a rua. Um ângulo largo que engana dá uma reserva e uma má avaliação. Um vídeo honesto dá a reserva certa.
E numa clínica, num ginásio ou numa loja, a lógica repete-se: quem te procura quer ver como é estar aí dentro antes de marcar.
Qual é a estratégia, passo a passo?
São quatro passos e começas esta semana, sem gastar um euro em anúncios.
Passo 1: grava a tua montra em vinte segundos. A porta, a sala, o produto ou o prato a sair, a vista. Com luz do dia, de manhã ou ao fim da tarde. O telemóvel serve, desde que seja o teu espaço real. Nada de imagens de banco: as pessoas notam logo e deixam de confiar.
Uma regra que uso sempre: o primeiro segundo tem de mostrar a coisa mais bonita que tens. Não o logótipo, não a fachada às escuras. A vista, o prato, a sala cheia.
Passo 2: põe esse vídeo onde te procuram. Ninguém vai ao teu feed de 2021. As pessoas veem os primeiros posts do Instagram e o que o Google mostra, e decidem. Por isso:
Passo 3: um vídeo curto para cada pergunta que te fazem sempre. Têm esplanada? Dá para um grupo de dez? Onde é que estaciono? Aceitam animais? Cada pergunta repetida é um vídeo de dez segundos à espera de ser gravado.
Respondes antes de te perguntarem. Foi o que fiz no site da Eboard Madeira: o pedido de reserva ficou sempre à vista e as perguntas repetidas diminuíram. Com vídeo, a lógica é a mesma, só que mais rápida de perceber.
Passo 4: mede o que interessa. Mensagens, pedidos de reserva, chamadas, pedidos de direções no Google. Gostos não pagam a renda. Se o vídeo da montra trouxe mensagens esta semana, faz outro parecido. Se não trouxe nenhuma, muda o primeiro segundo e tenta de novo.
- fixa o vídeo no topo do teu Instagram;
- junta-o às fotos e vídeos do Perfil da Empresa no Google;
- põe-no no estado do WhatsApp Business, que é onde muitos clientes da Madeira te escrevem.
Um exemplo concreto: um restaurante no Funchal
Imagina um restaurante de peixe na zona velha. Bom peixe, boa sala, avaliações simpáticas. No Google tem doze fotos, a mais recente de há dois anos. No Instagram, o último post é de um jantar de grupo com flash.
Esta semana, em vez de pensar numa campanha, o dono faz três coisas. Na terça grava vinte segundos ao fim da tarde: a porta aberta, a mesa junto à janela, o peixe a ir para a grelha. Na quarta fixa esse vídeo no Instagram e junta-o ao Perfil da Empresa. Na quinta grava dez segundos a mostrar a esplanada coberta, porque é a pergunta que mais lhe fazem no inverno.
Na segunda seguinte abre as mensagens e conta. Não precisa de números mágicos: precisa de saber se a montra nova trouxe mais conversas do que a velha.
Isto não é trabalho a mais para um negócio pequeno?
Menos do que parece. Uma hora numa terça de manhã dá para gravar a montra e duas ou três respostas a perguntas frequentes. O que dá trabalho é não ter nada e explicar a mesma coisa vinte vezes por semana ao telefone.
E não precisas de estar à frente da câmara. A montra é o espaço, o produto e as pessoas a usá-lo. Tu podes aparecer, se quiseres, mas não é obrigatório.
O que fazer esta semana?
Se quiseres saber o que um turista vê de ti primeiro quando te procura no Google, no Maps e no Instagram, faço-te um check de presença grátis. Duvido que a tua montra passe à primeira.
- **Até quinta:** grava a montra do teu espaço em vinte segundos, com luz do dia e o espaço real.
- **Até sexta:** fixa esse vídeo no topo do Instagram, junta-o ao Perfil da Empresa no Google e põe-no no estado do WhatsApp.
- **Na segunda seguinte:** abre as mensagens, conta quantas vieram do vídeo e grava a resposta à pergunta que mais te fazem.
Perguntas frequentes
Quer dizer que a primeira visita ao teu negócio já acontece no telemóvel. Quem te procura decide pelo vídeo que vê no Instagram, no Google ou no YouTube antes de passar à porta.
Para começar, o telemóvel serve. O que conta é mostrar o teu espaço real, com luz do dia, e pôr o vídeo onde te procuram.
Fixado no topo do Instagram, nas fotos e vídeos do Perfil da Empresa no Google e no estado do WhatsApp Business.
