Quando a Booking aparece à frente do teu próprio site
Este artigo explica porque é que o Google faz essa escolha, como fazer o teste em dois minutos, e o que resolve o problema pela ordem em que vale a pena fazer.
Se alguém escrever o nome do teu restaurante no Google e o primeiro resultado for o Uber Eats, ou escrever o nome do teu alojamento e o primeiro resultado for a Booking, está a acontecer uma coisa concreta: estás a pagar comissão por clientes que já te conheciam e que te estavam a procurar pelo nome. O Google não está a enganar-se: está a escolher, entre duas páginas sobre o teu negócio, aquela que lhe parece mais fiável. E essa não é a tua.
Faz o teste agora, leva dois minutos
- O nome do teu negócio, só isso. «Restaurante [nome]», «[nome] Funchal».
- O nome mais a cidade. «[nome] Machico», «[nome] Caniço».
- O nome mais o que vendes. «[nome] pizza», «[nome] quarto duplo».
Agora olha para os três ou quatro primeiros resultados de cada uma e responde a uma pergunta: quantos deles são teus?
Se a resposta for «todos», podes fechar este artigo. Se entre eles aparecer a Booking, o Airbnb, o Uber Eats, o Glovo, o GetYourGuide, o TripAdvisor ou um directório que nunca autorizaste, continua a ler.
Repara numa coisa, porque é a parte que costuma passar ao lado: quem escreve o nome do teu negócio já é teu cliente. Não é alguém a descobrir-te. É alguém que te conhece, que gostou, que vai voltar, e que acaba de ser entregue a uma plataforma que vai cobrar uma percentagem dessa reserva ou desse pedido. A comissão existe para trazer clientes novos. Nesta pesquisa não está a trazer ninguém.
Abre o Google numa janela anónima, para que o histórico não interfira, e escreve:
Porque é que o Google escolhe a plataforma e não o teu site
Autoridade do domínio.
A Booking tem milhões de ligações de outros sites a apontar para ela. O teu site tem as que foi juntando. Nisto não se ganha, e não é por aqui que se compete.
Dados estruturados.
As plataformas dizem ao Google, em código, exatamente o que a página é: um alojamento, com morada, preço, disponibilidade, avaliações e nota média. A maior parte dos sites de negócios da Madeira não diz nada disto, e é muito comum encontrarmos sites que mostram as avaliações do Google numa imagem bonita, sem uma linha de código a dizer que aquilo é uma avaliação. Para o visitante, está lá. Para o Google, não existe.
Atualização.
A página da plataforma muda todos os dias, porque os preços e a disponibilidade mudam. A página «Sobre nós» do teu site está igual desde 2021.
Avaliações.
A plataforma mostra dezenas, com data e com texto. O teu site mostra três testemunhos sem nome.
Clareza da entidade.
E este é o sinal onde quase todos perdem pontos sem saber. Se o teu negócio aparece na internet com o nome escrito de quatro maneiras diferentes, com dois códigos postais em conflito e com dois números de porta, o Google tem de decidir se está a olhar para um negócio ou para vários parecidos. Quando tem essa dúvida, prefere a fonte que não tem dúvidas: a plataforma.
Não é má vontade nem é aleatório. Quando existem duas páginas sobre a mesma coisa, o Google decide com base em sinais, e as plataformas ganham em quase todos:
Isto último não é teoria. É o problema que encontramos com mais frequência em negócios da Madeira com mais do que uma casa ou mais do que um balcão.
O que resolve, por ordem de importância
A ordem importa, porque os dois primeiros pontos custam pouco e resolvem a maior parte.
1. A tua ficha do Google, completa
A ficha do Google é a única peça que pode aparecer acima de todos os resultados, com mapa, estrelas e botão de telefone. Completa significa: categoria principal certa, serviços ou pratos listados, horário atualizado inclusive nos feriados, ligação ao teu site com o endereço correto, e muitas fotografias reais: do exterior reconhecível, do interior, da equipa, do que vendes. O exterior é o que o Google usa para confirmar que o negócio existe onde diz existir.
E publicar na ficha. Não precisa de ser elaborado: um prato novo, uma obra concluída, uma nota sobre a semana.
2. Nome, morada e telefone iguais em todo o lado
Escolhe uma forma de escrever o nome do negócio e a morada, e usa-a sem variações: no site, na ficha do Google, no Facebook, no Instagram, nos directórios, na Booking, no Uber Eats. Mesmo nome, mesmo número de porta, mesmo código postal, mesmo telefone.
É das tarefas mais chatas que existem e é das que dá mais resultado por hora gasta. Com mais do que uma casa, é o que faz a diferença entre o Google perceber que existe um grupo e achar que são negócios sem relação entre si.
3. Dados estruturados no teu site
Dizer ao Google, em código, o que o teu site é: que tipo de negócio, onde fica, que horário tem, que serviços oferece, que pratos serve, que quartos tem. É trabalho de uma manhã e é o que falta em quase todos os sites que auditámos este ano.
Uma nota técnica que vale a pena saber, porque há muita informação errada sobre isto: as avaliações que o próprio negócio publica no seu próprio site não dão estrelas nos resultados do Google. A marcação serve para o Google ligar o site à sua ficha de empresa como sendo a mesma entidade: não serve para as estrelas. As estrelas que valem são as da ficha do Google.
4. Uma página tua para cada coisa que a plataforma mostra
Se a Booking tem uma página por quarto e o teu site tem uma página «Quartos» com tudo junto, a Booking tem mais hipóteses. O mesmo com um restaurante cuja ementa está num PDF: o Uber Eats tem uma página por prato, com nome, descrição e fotografia, e o teu PDF não tem nada.
Não é preciso copiar a plataforma. É preciso que exista, no teu site, uma página que responde à mesma pergunta.
5. Avaliações, a pedir sem vergonha
Pede. No fim de uma refeição, no check-out, na entrega de um trabalho. É o sinal local mais barato que existe e é aquele onde um negócio pequeno pode ultrapassar um grande em poucos meses.
6. Dar um motivo para reservar directamente
Depois de recuperar a pesquisa do teu nome, a pessoa aterra no teu site, e aí tem de ter um motivo para não voltar à plataforma. Pode ser o preço, uma condição, uma bebida, um late check-out. Qualquer coisa que a plataforma não possa oferecer. Sem isso, ganhaste a pesquisa e perdeste a reserva.
O que não resolve
Sair das plataformas.
Não é esse o objetivo e quase nunca é boa ideia. As plataformas trazem clientes novos, que é aquilo para que servem. O objetivo é deixar de lhes pagar por clientes que já eram teus.
Pagar anúncios ao teu próprio nome.
Resolve no dia em que pagas e volta ao mesmo no dia em que deixas de pagar. É um penso rápido, e caro.
Mudar de site.
Se o site está construído em condições, o problema não é o site: é o que falta em volta dele. Refazer um site que funciona é a forma mais cara de não resolver isto.
Perguntas frequentes
Acontece, e é menos grave. As redes são tuas e não cobram comissão por reserva. Ainda assim, se o perfil de Instagram aparece acima do site, é sinal de que o site tem pouca autoridade para o próprio nome, e a correção é a mesma.
Para a pesquisa do nome, que é a mais fácil de todas, semanas e não meses, desde que a ficha do Google fique completa e os dados estruturados sejam postos. É a primeira coisa que recomendamos exatamente por isso: é rápida e nota-se.
Muda tudo, e para pior se nada for feito. Com várias casas, o risco não é só a plataforma aparecer à frente: é o Google tratar as tuas cinco casas como cinco negócios sem relação, com dados que não batem certo entre si. Nesse caso a prioridade é arrumar as fichas, uma a uma, antes de mexer no site.
Repete o teste do início deste artigo, de mês a mês, sempre em janela anónima, e anota o que aparece nos três primeiros resultados. É uma tabela de cinco linhas num caderno e diz-te mais do que qualquer relatório.
Faço um check de presença grátis: pesquiso o teu negócio como um cliente o faria, no Google e no Maps, vejo o que aparece à frente do teu site e porquê, e envio-te um relatório com o que encontrei e pela ordem em que vale a pena resolver. Não tem custo e não tem compromisso. Pede o check de presença grátis, ou, se preferires, pesquisa primeiro o teu nome no Google e diz-me o que viste.
